O Brasil chega a 2025 com uma contradição difícil de disfarçar: enquanto se prepara para sediar a COP30 em Belém (PA) — evento em que tentará posar de protagonista ambiental no cenário internacional — a Amazônia Legal registrou um aumento de 482% na degradação florestal só nos três primeiros meses do ano. O número é escandaloso: 33,8 mil km² de floresta degradada, contra 5,8 mil km² no mesmo período de 2024. É o maior volume já registrado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) desde o início da série histórica do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).
A área degradada equivale ao tamanho de uma capital inteira: Porto Velho (RO), com 34 mil km². Mas ao contrário da capital rondoniense, que abriga gente, serviços e infraestrutura, essa “nova cidade” aberta na floresta só serve ao avanço da devastação, alimentado por queimadas e extração de madeira ilegais. A degradação, que antecede o desmatamento completo, abre caminho para a destruição definitiva da floresta — e compromete qualquer discurso oficial de sustentabilidade.
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